É, por mais que eu queira fugir, ser hippie e coisa e tal, tenho que admitir que na maior parte do tempo eu sou uma metrópole…não tenho paciência pra esperar a hora certa de ir, toda hora é hora, cuidado se toma tanto de dia quanto de noite e no fundo os perigos são os mesmo, a diferença é que se enxerga melhor com a iluminação natural, que nem sempre é o que eu quero.
Ver o dia amanhecer entre os prédios, ter a sensação de fim de tarde em pleno meio dia, virar a noite e seguir de metrô no anti-fluxo, esses momentos me trazem um certo prazer individualista…são neles que meus pensamentos se organizam, não tem metrô no campo. Eu quero uma casa no campo, pra poder desacelerar um pouco e sentir saudade da loucura da minha concret jungle, mas tenho a impressão que eu enlouqueceria se ficasse muito tempo sem a frenética cultural desse lugar.
Aqui não é só o rock que é roll, tem bossa n’ roll, batuque n’ roll, só aqui tu consegue ver em um mesmo dia, separado por alguns poucos quilômetros uma banda gaúcha e outra pernambucana, andando se vai de um para o outro, não precisa de avião. Nos corredores dos cinemas é possível ouvir todos os idiomas I can say s’il vous plaît um biglietto, sem causar espanto. Aqui as imagens se encontram, os sotaques se misturam e eu acabo por conhecer de tudo um pouco em uma mesa de bar.
Fico instigada a sair daqui, ficar um bom tempo fora e voltar toda nostálgica. Ou morar em outro lugar (pra variar) e passar férias no meio Urbano, essencial estar no anti-fluxo. Mas sempre terei a metrópole comigo, nos meus costumes e maneiras, no meu sotaque. Sei que a maloca sempre será saudosa e que é dela que eu preciso.
Pois é, não tem jeito, São Paulo sou eu.
“Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João”